21.8.07


Montar um blog via Blogger é realmente muito simples, qualquer criança pode fazer, disse bobagem, é óbvio que qualquer criança sabe fazer, as crianças já nasceram com um gene específico para a cultura cibernética, montar um blog é simples porque qualquer pessoa com mais de 30 pode fazer! Além do que é divertido, basta escolher um modelo prontinho, tem pra todos os gostos e estilos, dos mais sóbrios aos modernos e coloridos, e é possível ainda alterar as cores, mudar fontes e tamanhos das letras - mesmo que a gente acabe voltando aos padrões propostos pelo modelo original, afinal já está tudinho bem estudado. E a gente começa a brincar de acrescentar elementos à página, não resisti, claro, e tasquei eu também uns filminhos e ainda acrescentei links para notícias. É super fácil como todo o resto, nos convidam a escolher uma palavra-chave ou várias palavras, e como este blog se chama Verborragia Feminina e como, pelo menos aparentemente, é dirigido às mulheres – homens sempre bem-vindos, claro! – pus lá a palavra-chave: mulheres. Pronto, na rapidez de um clic o Google, esse buscador nosso de cada dia, faz a pesquisa pra você e sai catando notícias fresquinhas sobre mulheres, ou melhor, com a palavra mulheres no título ou no lead da matéria, o que não é garantia, evidentemente, de que sejam notícias sobre mulheres, considerando que notícia é divulgação de fato ou informação relevante. Resolvi dar uma checada nas notícias que foram selecionadas pelo Google pra mim e que eu publico no blog como se a escolha tivesse sido minha. Encabeçando a lista me deparei com a importantíssima informação de que "o cor-de-rosa é para as meninas e o azul é para os meninos". A notícia esclarecia que o preconceito que acompanhou várias gerações, impondo-se como verdade, foi agora confirmado (sic – acredite se quiser, o texto afirma que "o preconceito foi confirmado"!) através de uma pesquisa do Instituto de Neurociência da Universidade de Newcastle, no Reino Unido. O informe esclarece que, até agora, não existiam provas sustentadas de que o sexo masculino e o sexo feminino tinham uma preferência pronunciada por determinadas cores, embora já se soubesse que os seres humanos em geral tendem a apreciar o azul. Para nosso alívio os sérios e desocupadíssimos pesquisadores convocaram 208 voluntários com idades entre 20 e 26 anos e pediram que, através de uma série de quadradinhos coloridos no computador, cada um escolhesse a sua cor preferida. O resultado foi inequívoco: todos tendiam a gostar de azul, mas as mulheres preferiam a parte mais avermelhada do espectro de cores próximo do azul, ou seja, tons de lilás e rosa! Os cientistas concluíram que a preferência por esses tons entre as mulheres pode ser o resultado da evolução da espécie humana. Então tá.
Uma amiga narrou cena terrível de tortura porque passou recentemente. Cena que se repete aos milhares a cada minuto, atingindo mulheres a partir dos 15 anos e ainda não sei até que idade, submetidas a uma dor lancinante, à superexposição do corpo e da alma e a uma enorme humilhação. E, como numa verdadeira Síndrome de Estocolmo, essas mulheres voltam à cena do crime inúmeras vezes, e se sujeitam repetidas vezes à mesma torturante sessão. Estou falando da já famosa depilação da virilha ao estilo brasileiro, em que são arrancados até os pelos dos grandes lábios, para um resultado final que está mais para a sobrancelha da Malu Mader do que para a natural vulva feminina. Deitadas em macas separadas por toscas cortininhas de plástico ou tecido, dessas que nunca estão verdadeiramente fechadas e que sopram ao sabor de qualquer brisa leve, as mulheres se expõem em posições pra lá de esdrúxulas, pernas escancaradas para as mãos nem sempre hábeis das depiladoras, as mais experientes delas sendo capazes até de forjar mimosos desenhos com os poucos pentelhos que sobram, nesta uma seta , naquela uma flor, na outra um coração, mas o mais pedido é mesmo o formato de sobrancelha vertical. Recebe-se primeiro uma generosa demão de cera quente, a pele queima e arde para em seguida encarar o inevitável puxão, desses que arranca lágrimas até das já acostumadas com parto natural sem peridural, e depois dos puxões é preciso experimentar ainda o interminável acabamento com a pinça, que ferroa as partes pudentas qual um formigueiro repleto de saúvas. Diz que a pele até fica lisinha, mas quase sempre salpicam aquelas bolinhas de poros inchados e pêlo que encravou, ou vai encravar. Considerando que apenas uma parcela ínfima dessas mulheres tem um contrato para posar nua em revista masculina, outra pequeníssima parcela usa biquíni que deixa os grandes lábios expostos, fiquei curiosa: as mulheres se submetem a isso porque os homens não conseguem mais encarar a dita cabeluda?