O amigo Erreême, que mora em Beagá como eu, gostaria de ver aqui no Verborragia Feminina a explicação detalhada sobre como nós, mulheres, fazemos as escolhas de nossos homens, homem é assim mesmo, adora trocar idéias com as mulheres sobre o tema, mas é só pra checar se ele está acertando na hora da caçada ou se vai ter uma melhor chance na próxima investida. Numa coisa ele e outro amigo que passa por aqui de vez em quando, o Rafael, acertaram em cheio: de fato, quem faz a escolha é a mulher. Como não tenho gorda verba de pesquisa da universidade para entrevistar umas 1000 mulheres a respeito, e como não adianta ter amostra grande, porque não vai representar mesmo todo o universo feminino, fiz uma consulta informal com cinco ou seis amigas, com idades entre 25 e 45 anos. O resultado, não se iludam, é científico: 95% das mulheres preferem um feio interessante a um lindo sem interesse algum. A explicação é simples, nos feios interessantes há pelo menos uma coisa, qualquer coisa, de bonito, um olhar, a mão, um nariz mais proeminente. Os feios, mesmo os interessantes, não são cobiçados pelas suas amigas, acham que tiraram a sorte grande, pagam as contas nos restaurantes e são bons de cama, no antes, no clímax e no depois – talvez porque achem que é preciso alguma recompensa pra feiúra. 80% das mulheres pesquisadas acham mais fácil ganhar flores de um feio do que de um com barriga tanquinho. Para 90% das mulheres, cara de bom moço não dá caldo, é preferível um certo ar cafajeste, nada muito Jece Valadão, e não confundamos “um certo ar cafajeste” com cafajestagem em si. Entre as mulheres entrevistadas, 80% afirmam preferir os altos e mais magros, mas como a brasileira tem altura mediana de 1,60m o conceito de alto é bastante relativo. E mulher perdoa, sim, a barriguinha. Por fim, 75% acham que pênis grande é bom pra se olhar e excita, mas é bem desconfortável. Ah! 100% das mulheres acreditam que o modelo ideal é o namorado à Rita Lee: “lindo, fiel, gentil e tarado”.
6.9.07
Jovem, alta, musculosa, campeã. Acaba de vencer os 50 metros livres de natação na Prova José Finkel, sai da água e desmaia, em crise de convulsões. As notícias são de que a nadadora Rebeca Gusmão, que tem apenas 22 anos e ganhou 16 Kg de 2003 pra cá, ela jura que foi apenas musculação, é asmática, passou mal na noite anterior à prova e tinha tido abalos musculares após competir os 4 x 100. Mesmo assim entrou na piscina novamente, ganhou, mas, claro, não levou mais saúde pra casa. Me lembrei imediatamente do médico mineiro José Róiz, que escrevia coluna, às quintas, na Caros Amigos, autor do livro Esporte Mata. Róiz, em tempos de culto aos músculos, corpos perfeitos e dietas mirabolantes, tinha a ousadia de afirmar que o ser humano não foi feito para correr e provava, por a + b, que o esporte competitivo mata. Para ele, a humanidade é dividida entre dois grandes grupos, os longevos e os não-longevos. Os que vivem muito, e são minoria, foram feitos de um “barro especial”, em que a insulina predomina sobre o glicorticóide, que é um dos hormônios do estresse. Nos não-longevos, que são a grande maioria, ocorre o contrário, há excesso do hormônio do estresse e aí, fazer exercícios só serve pra produzir mais hormônio e mais estresse, levando a um ataque cardíaco fatal. Ou seja, esporte não é vida, nem saúde. Não sei se sou longeva ou não-longeva, sei que não espero levar a vida até os cem, mas sempre fui avessa aos exercícios físicos. Talvez tenha recebido uma forcinha da genética, sou do tipo que consegue fechar o zíper da calça apenas 15 dias depois de um parto – e na época dos meus partos as calças eram de cintura alta e bem marcada, quem se lembra? – nunca engordei ou emagreci em demasia, talvez por isso nunca tenha me rendido ao culto da malhação, nem consigo me enxergar naquelas roupitas de malha colorida, bufando em cima de uma esteira ou correndo no asfalto. Acho ir à academia uma chatice tão grande quanto ir ao salão pra fazer unhas, as minhas são curtas e sem esmalte mesmo, mas recentemente botei na telha que seria legal fazer o tal Pilates, diz a promessa que alonga e fortalece os músculos apenas com a força do próprio corpo, mas quem já foi a uma aula de Pilates viu que os aparelhos de exercícios são quase idênticos aos da tortura medieval. Não vou me alongar muito, basta dizer que a determinação durou nem três meses, parei quando notei que saía das aulas sei lá se com mais saúde, mas definitivamente com um mau humor desgraçado.
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