2.10.07

Estou de volta, o conselho do Marcos Rocha, que consegue manter há um ano o blog Plano-Geral no ar - não sei se chegarei a tanto – é ir postando devagarinho, um pouquinho por vez, dia sim, dia não, indo por partes, como diria Jack, o Estripador, mas sei que não é o ideal, a Internet tem a premissa do urgente e do tempo real, assim vou tentar manter um mínimo de regularidade. À espera do blog grupal que há de sair, a premissa é a da diversidade sem censura. O mais bacana dessa história de blogar, entrei nessa por acaso e sem nenhum planejamento, são esses contatos virtuais que se vão estabelecendo e uma intimidade que se vai criando, pode-se afinal trocar idéias com quem está não importa em que lugar do mundo, mesmo ninguém mais se importando com o vizinho da porta ao lado. Está confuso isso aqui? Vou tentar explicar, mas não sei se ficará menos confuso: escrever num blog é um exercício solitário, que se surpreende com uma troca repentina, nem que seja uma troca de solidões. Claro está que muito mais interessante seria sentar na mesa de um bar com amigos - e tem que ser poucos amigos, ou não será mais uma sentada na mesa de bar com amigos, mas um evento social, coisa bem diferente - pra jogar conversa fora, falar de tudo e de nada e, sobretudo, entender cadinho mais o outro, compreender o outro também pelos silêncios, pelo que não é dito, pela expressão dos olhos, por um esgar no canto da boca, pelas rugas de hoje que não se notava ontem. Escrever num blog, como dizia, é coisa bem diversa, escrevemos para nós mesmos e, como um eco que bate na parede e retorna como bumerangue, escutamos apenas a própria voz. Mesmo que algumas vezes o texto consiga ganhar rumo próprio e fugir de nós, indo pra onde nem imaginávamos, ainda assim somos o dono da voz. Mas, de repente, alguém entra pra fazer um comentário, quase sempre para uma gracinha, dessas meio sem graça, mas, mesmo assim, é com surpresa e alegria que vemos que alguém afinal leu o texto, ou passou apenas os olhos, não importa e, ainda por cima, deu-se ao trabalho de comentar, decidiu por ali uma outra voz. O exercício da virtualidade fica então temerosamente real, pode-se imaginar que outro é aquele? O que lemos do que ele comenta é exatamente o texto que foi escrito ou é também, ou somente, a leitura que fazemos desse texto? E o outro, o que leu? O eco da voz ou a nossa própria voz? Não estão lá os silêncios, ou o olhar, nem sequer o tom e o timbre da fala, em que se pode adivinhar ansiedade, franqueza e até mentira. Apenas palavras, bem ou mal escritas. Mas o outro está lá, mesmo que não inteiro, real. E aí é gostoso, quase como se estivéssemos na mesa do bar - pena que sem a cerveja - apenas pra jogar conversa fora. E pra conquistar o mais bonito dessa vida: a oportunidade de se conhecer melhor, conhecendo o outro. Desde já obrigada aos outros que por ventura passarem aqui.