A Amélie publicou lá no Correio Feminino outro dia bom texto do Jabor – sim, ele é um mala, mas mesmo assim tem alguns textos legais – sobre a dificuldade que as pessoas têm de se relacionar, todos querendo alguém, mas todos sendo altamente seletivos, na eterna busca da “alma gêmea”, coisa que só existe mesmo em livro do Paulo Coelho – sim, confesso que um dia li Paulo Coelho, pelo menos falo mal com conhecimento de causa. É o diagnóstico do já velhusco e solteirão Jabor, os jovens vivem repetindo a mesma queixa, a da dificuldade nos relacionamentos amorosos, mas o viés é um pouco diferente: dizem que não é difícil encontrar um parceiro sexual, e para os jovens não deve ser mesmo, mas vai parecendo impossível encontrar um (a) companheiro (a) pra vida, ninguém quer saber de compromisso, em qualquer instância. Como o já amigo Rafael insiste em receber do Verbo algumas dicas sobre as mulheres, concluo que também ele enfrenta dificuldade parecida. Pois numa roda de conversa com colegas de trabalho, no último sábado, surgiu teoria interessante para o fenômeno - sim, a besta aqui trabalha em alguns sábados, e se trabalhar aos sábados faz parte da rotina, conversas bestas no trabalho aos sábados também fazem parte. Um rapaz lançou a idéia de que a dificuldade dos jovens em assumir compromissos amorosos tem duas razões básicas: de um lado, o jovem de hoje consome tudo rápido demais e várias coisas ao mesmo tempo, o que estaria provocando dificuldade de concentração em um único foco e, sobretudo, em ir "até o fim" de qualquer coisa, incluindo aí os relacionamentos. Por outro lado, a facilidade em distribuir beijos como doces em dia de Cosme e Damião e de conseguir muitos e diferentes parceiros sexuais, desestimularia o jovem ao investimento em um único relacionamento mais duradouro. "Pra quê?", pergunta o jovem de seus 20 e poucos anos, "não vale a pena ficar investindo em uma menina, se há tantas querendo te experimentar!" O que aprendi? Notei que o jovem de hoje é menos arrogante que os homens mais velhos: percebe, pelo menos, que quem está experimentando é a mulher.