Sem detalhar muito, há professores que penetram aqui e as elites sempre se encontram, os exemplos a seguir são mera ilustração – verdadeira: tenho um amigo que se casou três vezes, na primeira com mulher da mesma idade, ou par de anos mais nova. Dois filhos e poucos anos depois meu amigo, charmoso professor universitário, trocou a mulher por uma aluna, ele com 34, ela com 20, ninguém notou diferença de idade, foi a relação professor-aluna, ainda mais uma caloura, que provocou certo frisson. O casamento durou bons 13 anos, acabou porque ela queria filhos, ele alegava que já os tinha, a moça partiu para a produção independente. Pouco depois meu amigo casou-se com nova aluna, agora ele tem 48, ela tem a metade exata, 24. Novamente a diferença de idade não provocou tanto alvoroço, o fato a estranhar desta vez é que a terceira, embora tenha 20 anos menos que a primeira e 10 menos que a segunda, é certamente a menos bonita e interessante das três. Conhecendo como conheço meu charmoso amigo, desconfio que ele, por mais incoerente que isso pareça, não gosta de casamento. Gosta é de ter companhia e sabe, desde já, que a nova moça logo será futura-ex. E o que isso tem a ver com o tema deste post, que atende novamente a pedidos? Ainda não sei, não sou autoridade nesse assunto, apenas observo. Sem desmerecer a coragem de nosso personagem – sim, porque pra desfazer um casamento e encarar outro logo em seguida é preciso peito – e mesmo sabendo que o maior orgulho masculino é se exibir com carne nova, sei que quem fez as escolhas não foi ele, em nenhum dos casos. E querer uma garota de 24 aos 48 é bem normal, ser escolhido aos 48 por uma de 24 é coisa bem diferente. Claro está que o poder é afrodisíaco, seja o poder do dinheiro, o poder da fama e até o poder do intelecto. Meu amigo não é rico nem famoso, já disse aqui que é um mero funcionário da universidade, mas é um intelectual brilhante, certamente o charme do professor é o atrativo maior. Que o poder compra boa companhia ninguém duvida, aí estão as falsas louras que engravidam de astros do futebol, as modelos-atrizes que conseguem ponta na novela com o teste de sofá, as belíssimas garotas do tempo amantes do chefe do telejornal, a jornalista que conquista vida fácil depois de uma rapidinha com um senador e até a campeã de todas, essa engravidou do maior astro do rock mundial e depois ainda garantiu vaga de apresentadora com cachê milionário, casando com o feio e baixinho chefão da emissora de TV – mas isso não é amor, é oportunismo mesmo, pra ser educada e não evocar a mais antiga das profissões. Voltando ao nosso exemplo, porque escolheu ela homem tão mais velho? Sem citar possíveis motivos freudianos, podemos afirmar que em primeiro lugar há o já citado encanto pelo poder. Assim como ele incha o peito ao exibir a aluna-menininha, ela empina o nariz pras amigas ao exibir o professor-troféu. Em segundo lugar vem a incompetência de certos machos jovens, mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade, não duvido que meu amigo professor seja bem mais eficiente que os concorrentes alunos entre os lençóis. E chegamos a um ponto importante: meu amigo não se esquivará de umas aulinhas também na cama. O problema é a dificuldade em se livrar da pele de mestre, mesmo quando a gatinha de 20, passando dos 30, já estiver pós-graduada. Os encantos intelectuais do mito-professor de ontem vão se tornar defeitos do homem de hoje, ela escolheu, ela vai cair fora. Talvez faça como outra amiga minha, bem mais ousada, também professora universitária: casou-se com um aluno 18 anos mais novo. O casamento já dura 20 e ela explica: "fui professora, mas das generosas, das que aprendem vendo o aluno crescer. Acabamos crescendo juntos".