Alberto Bejani não quer ver novamente, claro, o sol nascendo quadrado. O advogado dele tenta um habeas corpus (abro já um parêntesis, quem advoga é Marcelo Leonardo, ex-presidente da OAB mineira e defensor de 9 entre 10 canalhas vips), com a alegação de que o edil sofre, coitadinho, de Síndrome do Pânico. Responda rapidinho: pânico sente Bejani ou sentimos nós?
12.6.08
Carta a D.
Sem Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Dia dos Namorados... Essas datas impostas pelo comércio nunca nos pegaram aqui em casa. Quando as crianças eram pequenas recebíamos, de bom grado, os presentinhos de artesanato forjado pelas professoras na escola. Passada a fase, deixamos claro aos filhos que Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças é em qualquer e todos os dias. Presentear nos dias de praxe nunca nos fez falta alguma, carinho não deve ter data marcada. Aliás, o Dia dos Namorados em 12 de junho é uma invenção de um publicitário, João Dória, nos anos 1950. Claro que o Valentine’s Day em 14 de fevereiro não pegaria por aqui, o Carnaval embutia ideia muito melhor, a de que é possível amar um monte de gente, e ao mesmo tempo, nos quatro dias de folia, pra quê se prender a um(a) namorado(a) em fevereiro? 12 de junho é véspera de Santo Antônio e era, também, período fraquinho no comércio. Passados pouco mais de meio século de propaganda massiva, já é a terceira melhor data para as vendas, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães. Mas, como dizia, a data nunca pegou a gente aqui em casa. E não é que ontem ganhei um dos presentes mais doces que já recebi do meu amado? A magnífica Carta a D., do filósofo André Gorz. Frequentador voraz de livrarias, João viu e pegou imediatamente o livrinho – e não se pode negar que também ele tinha o Dia dos Namorados martelando em algum lugar do subconsciente. Deixou o presente sobre meu travesseiro. Li de uma enfiada só, em pouco mais de uma hora. E acordei neste 12 de junho mais enamorada do que nunca.
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