Um fabricante de preservativos decidiu patrocinar pesquisa mundial sobre desempenho sexual, é claro que a motivação era puramente econômica, o que não é de todo mau nesse caso, pois se o interesse era econômico o trabalho deve ter sido realizado com a devida seriedade e os devidos recursos – se a pesquisa tivesse brotado apenas da mente brilhante de algum cientista cavador de fundos oficiais, eu ficaria mais desconfiada... Foram ouvidas 26 mil pessoas de 25 países, as perguntas giravam em torno da satisfação sexual, do conhecimento sobre sexualidade e, claro, em torno da prevenção de doenças, o que mais interessa a um fabricante de preservativos. Não deu outra: os brasileiros encabeçam a lista dos mais confiantes em relação à própria vida sexual.
Me lembrei de uma outra pesquisa, essa informal e caseira mesmo, que constatou que o homem brasileiro é, também, o que melhor mente sobre o próprio desempenho na cama, mas isso é tema pra outra hora... Voltemos à pequisa-tema deste post: The Face of Global Sex 2008: Sexual Confidence, bonito título, não? No quesito confiança de que vai tudo bem no sexo, atrás dos brasileiros (com a marca de 80% dos entrevistados) aparecem os canadenses (74%) e os italianos (65%). Os japoneses ficaram em último lugar, apenas 54,5% deles se declararam certos de ter uma vida sexual plena. Os engraçadinhos aí já vão fazer analogia entre a falta de confiança e o famoso tamanho do pingolim japonês, mas quero crer que o resultado pode estar relacionado a outras características nipônicas igualmente marcantes: a modéstia e a honestidade.
Saber se um povo é confiante sobre o próprio desempenho sexual é, sem dúvida, importante para um fabricante mundial de preservativos às voltas com gastos bilionários com campanhas publicitárias. Mas para nós, brasileiros, é bom ficar alerta, antes de sair cantando vitória: ter confiança no resultado não significa, necessariamente, que o resultado será bom – embora, convenhamos, meio caminho estará andado. O mais bacana, pra mim, foi outro dado revelado pela pesquisa: 75% dos brasileiros apontam como principal fonte de informação sobre sexo o bate-papo com amigos e com parceiros(as) sexuais! Prova de que falar sobre sexo faz bem sim, ao contrário dos que julgam que falar é apenas substituto do fazer. Quem fala abertamente sobre o tema consegue liberar tensões, reduzir preconceitos e dar asas à imaginação e às fantasias - o resultado é sexo mais freqüente e mais gostoso. A má notícia é a de que os pais e mães brasileiros aparecem apenas em 7º lugar como fonte de informação sobre a sexualidade, atrás de jornais e revistas, da escola e até da televisão, entre outros! Talvez por causa disso, quando o assunto é prevenção de doenças sexualmente transmissíveis a confiança dos brasileiros despenca para o 5º lugar...