31.7.08

Sendo politicamente incorreta...

Nunca tinha ido, sempre com a mesma desculpa de que o velho continente tem mais a oferecer e a ser visto do que o pobre Portugal. Pois descobri que visitar a terrinha é obrigatório – pelo menos para os poucos do lado de cá que têm a oportunidade de viajar além-mar de vez em quando. Lisboa é mesmo lindinha, Cascais e Sintra nem se fala, mas o que mais me impressionou mesmo foram os portugueses – mamãe já me dizia que era preciso ter um filho para entender a os próprios pais – pois é preciso conviver com os portugueses para entender o Brasil e nós, pobres brasileiros. Afora a lógica dura, incapaz de expandir mais de um metro, o que rende a infinidade de piadas que cultivamos sobre nossos co-irmãos, me impressionei com a grosseria e a falta de traquejo – entendi num átimo, inclusive, que Mr Almost é injustiçado aqui na confraria, deveria ser compreendido como o mais gentil e delicado dos homens... portugueses. Funcionários postados debaixo do imenso i das tendas de informação turística, garçons e atendentes de restaurantes voltados para estrangeiros, motoristas de ônibus e de táxis, não importa quem, se você fizer a mais banal das perguntas obterá uma resposta estúpida e cuspida em tom de fúria. Na informação turística: “como se carrega o cartão do metrô?” Resposta com ar de desdém: “não é aqui.” No restaurante caro: “o filé vem acompanhado de batatas fritas?” Resposta furiosa: “está escrito batata frita aí no cardápio? Então não tem”. Ao policial, na rua: “por favor, onde fica o metrô?” Resposta já de costas, continuando a andar: “debaixo da terra, procure as placas”. Juro!!! Ultrapassa a já famosa limitação do raciocínio lógico (abro parêntesis para uma placa “informativa” nas estações de metrô: “esta entrada fechará às 21h30. Use a aberta” rsrsrs), rola mesmo é uma falta de vontade e de interesse em compreender e ajudar o outro, o que pode condenar nossos patrícios a ficarem cada vez mais apartados do resto do mundo, mais que limbo da Europa. Bem, depois da experiência deu pra entender a importância do nosso clima ensolarado e, sobretudo, da miscigenação de nossa raça brasileira, que bom que índios, negros, italianos, japoneses, turcos, judeus etc.etc. ajudaram a diluir o sangue português que corre em nossas veias. Ah! O povo na rua é igualzim a gente mesmo, e isso é bem legal, porque bem familiar: gente baixa, em geral feia, quase sempre mal vestida. Entre esses iguais às vezes é fácil bater papo agradável e obter informações úteis.