Dizem que a geografia da mulher muda muito ao longo da vida, não falo das curvas, sabemos que o que era liso vai se avolumando, surgem sulcos e vales mais profundos e o que era caudaloso pode secar. Me refiro a semelhanças geográficas mesmo: dos 15 aos 25 a mulher é como a África, subdesenvolvida, quente, metade já descoberta, outra metade escondendo belezas, tesouros e mistérios inacreditáveis. Dos 25 aos 35 já se parece com os EUA: desenvolvida, mandona, cheia de si e aberta a negociações em troca de um bom dinheiro. Dos 35 aos 40, a mulher está mais pra Índia: misteriosa, muito quente, relaxada e bem consciente da própria beleza. Dos 40 aos 45, já se parece com a França: meio envelhecida, é verdade, mas ainda um convite aberto a uma desejável visita. Dos 50 aos 60 é como a Iugoslávia: perdeu a guerra, é atormentada pelo passado, mas empina a cabeça e luta por uma reconstrução. Dos 60 aos 70, a mulher vira a Rússia: dona de um passado que foi influente, espaçosa e com fronteiras sem patrulha. Dos 70 aos 80, a mulher é como a Mongólia: um passado longínquo e glorioso de muitas conquistas, mas sem futuro. Depois dos 80, é como o Afeganistão, todo mundo sabe onde está, mas ninguém quer ir.
