"As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física." Nietzche
Ter amigos não é lá uma tarefa fácil, colecionamos dúzias de conhecidos, de vizinhos, de colegas, de parentes, de contra-parentes e de parentes do contra. Amigos, juntamos poucos, é assim com todo mundo. Contrariando o senso comum, não tenho muitas amigas, nunca fui de confidências de mulherzinhas, não me atraem as reuniões femininas para discutir performances masculinas, não gosto nem de companhia para fazer compras e coisas que tais. Minhas amigas, conto-as nos dedos e, infelizmente, estão longe de mim. Mas tenho três amigos homens e, devo admitir, são uns chatos. Um deles é mala mesmo, desses que aparecem na sua casa nos dias e horários mais impróprios, sempre sem avisar, e ainda repete a história que contou faz dois dias. O outro é aquele típico chato, com ares arrogantes, que vive em busca de brechas para uma discussão e provoca todo mundo pelo prazer de provocar, nem sempre pra ganhar a peleja, o gosto maior é o da própria discussão. O terceiro é professoral demais, didático demais, quase prolixo. Mas são meus amigos. Com eles, tenho liberdade para falar de todos os defeitos (deles) e de todas as qualidades (minhas). São amizades de discussão, de disputa, mas de muito afeto. Hoje, relendo ao acaso um texto de Nietzche, me lembrei dos meus amigos homens. Porque acabo de perceber como essas amizades são possíveis:
