Pra quem não sabe, o Geneton Moraes é jornalista há mais de 30 anos, mas não é exatamente um “velho” jornalista, anda na casa dos 50. Tem carreira consolidada em televisão, já foi de tudo na Rede Globo, Jornal Nacional, Jornal da Globo, Fantástico, mas adora mesmo é fazer reportagem. Como bom jornalista que é, é também escritor dos bons, com vários livros publicados, entre eles Nitroglicerina Pura e Dossiê Drummond, a última entrevista do poeta.
O texto a seguir é um trecho de excelente relato que está no blog do moço – e reproduz com exatidão o que todos nós sentimos, em relação ao atual jornalismo impresso. Dedico ao Marcos Rocha, esse também “das antigas”, e que sabe bem o que é esta angústia:
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De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era "novidade" para mim: "Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase". Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo.
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Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?
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Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?
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Os autores dessas obras-primas ( primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso. É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão. Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos.
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Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.
Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.
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