
Tá lá a Madonna, do alto dos seus 50 anos, cheia de fôlego, pulando quase like a virgin, de tão adolescente. Eu estou quase chegando lá – lá na idade, bom frizar! – e me peguei pensando a imensa lista que separa este ser latino-americano que vos fala daquele star blond primeiro mundo que encanta várias gerações. Afora, claro, a questão óbvia de ela conseguir lotar o Maracanã e na minha porta não ter nem dois na fila. E para além do fato evidente de ser ela mais magra, ter os cabelos cacheados e louros, ainda que pintados, a pele branca de ariana e uma forma física espetacular. Pensei é em como Madonna parece cada vez mais jovem, mais imatura e cheia de manias adolescentes – dizem as más línguas que a moça exigiu até a troca das privadas, de redondas para quadradas, nas suítes que ocupa com a família no Copacabana Palace, será? Alguns dirão que Madonna pode tudo, isso sem dúvida é verdade, mas haveria um milhão de coisas a exigir antes de pensar no formato da cadeirinha que vai mandar meus dejetos para o mar. Nas fotos que vi, Madonna vai começando a se parecer com uma máscara de si mesma, algo como um gnomo envelhecido. E vai se transformando no símbolo de como as mulheres (não) querem envelhecer. É como se as mulheres, se encontrassem enfim a lâmpada de Aladim, tivessem um único desejo: aparentar 20 anos. O gênio, não sendo Deus, apenas gênio, e não podendo cancelar a lei maior da natureza, oferece alguns disfarces. E, eureka, concebe a mágica de fazê-las acreditar que os artifícios param, realmente, o tempo. Mas, já dizia o mestre morto precocemente, “o tempo não pára”. Reside aí, afinal, uma diferença – essa sim fundamental! – entre esta humilde escrevinhadora e a nada modesta pop star: o tempo está cravado em mim. Nas pequenas manchas da pele do meu rosto, nos seios que fazem uma curva, sem desafiar a gravidade qual bolas de borracha, na pequena barriguinha que não é uma tábua, muito menos um tanquinho, felizmente alguns acham sexy, nos cabelos que são prata, fios negros como os de índio, fios brancos como a neve. Está gravada no meu corpo a minha história: meus partos e meus filhos, meu sexo, minhas angústias e minhas alegrias, minhas vitórias, meus fracassos e algumas cicatrizes. Estão lá, também, alguma sabedoria, uma certa paciência, muita tolerância, mais serenidade, algum conforto e outros itens que não são de série e que são impossíveis aos 20 anos. Não, definitivamente não me pareço uma virgem! Hoje me olhei bem no espelho e me achei tão bonita...