26.1.09

Um luxo!






Vinte e cinco anos atrás, só havia duas pousadas: os ricos ficavam no Solar da Ponte e seu chá das cinco e os pobres na modestíssima Pensão do Laurito, na linda rua Direita. Pra comer, apenas um restaurante decente, o Padre Toledo, com espera de 3 horas por um frango ao molho pardo, mas valia a pena. Pequena e mais plana, a cidade era meio ofuscada pela fama do casario de Ouro Preto e, por isso mesmo, preservava o charme da vida que anda devagar. De lá pra cá foram centenas de idas e vindas e a cada vez encontrei uma nova pousada, um novo restaurante, uma nova lojinha, ainda que todas com as mesmas cópias artesanais. Felizmente Bichinho está logo ali, com a genialidade de Toti e sua Oficina de Agosto – e a cada nova visita, encontro (e compro) uma nova e belíssima surpresa. A cidade cresceu em torno do arraial de Santo Antônio da Ponta do Morro, mais tarde Vila de São José Del Rey – ao ladinho da São João do mesmo rei. Desde o começo do século XX tem nome bem menos poético, mas que homenageia o filho mais ilustre – e mais esquartejado – das terras mineiras: Tiradentes. Hoje a pequena Tiradentes já rivaliza com Ouro Preto em turistas ilustres e dá um verdadeiro banho em matéria de comodidades, como pousadas confortáveis, lojas sofisticadas e culinária de primeiro mundo. Cheguei de lá ainda agorinha, já estou com saudades! Fugi, claro, dos passeios pelas ruas apinhadas de lojinhas, pois a época é ingrata, corre a Mostra de Cinema – note-se que é mostra, não festival, ou seja: um desses eventos que não oferecem novidade alguma, mas atraem os turistas e entopem as ruas de jovens com latinha de cerveja. Preferi ficar em casa mesmo, fui hóspede em local privilegiadíssimo, bem em frente à Serra de São José, o casario e as igrejas desenhados aqui embaixo, silêncio de sapos e grilos. E fiquei imaginando meus amigos loucos e agitados da blogosfera naquele cenário idílico, sempre quis usar essa palavra, em bate-papo regado a vinho. Isso sim que é luxo, quem sabe um dia...