Sou do tipo que lê manual de instruções dos aparelhos. Compro uma máquina digital – e já tive que comprar várias, é uma maquininha por viagem, tenho a incrível capacidade de ser roubada por estrangeiros – a cada nova compra a bichinha vai ficando menor e o manual de instruções, maior. Leio meticulosamente e vou testando, ah, é então assim que se aumenta a resolução, como é fácil tirar foto em preto e branco, é desse jeito que se desliga o flash, daquele outro se aciona o modo macro e... Testo tudo, vou estudando e achando tudo simples demais, o problema é que as máquinas têm cada vez mais memória, mas a minha não retém nem 10 por cento de tantas funções, acabo lembrando apenas como ligar e desligar, no máximo como fazer um filminho, que o mais bacana dessas máquinas digitais, além da praticidade, é poder fazer uns microfilminhos. Mas não comecei isso aqui pra ficar falando de máquinas fotográficas digitais, e sim do não menos famoso aparelho MP3. Nunca tinha tido vontade ou necessidade de um, música aqui em casa ouve-se muito, mas é em CD mesmo e até em vinil, em minha casa de fim-de-semana mantemos o antigo pick up, pouco mais moderno que a velha vitrola, quem lembra? E uma bela coleção de discos de vinil, do clássico ao clássico do rock e o melhor da MPB. É claro que é bárbaro ver a facilidade e o volume de uma reprodução musical no Ipod, um aparelhinho minúsculo fazendo uma festa, ninguém mais precisa ficar “controlando o som”, como se dizia, agora basta ligar o Ipod, viva a tecnologia! Mas é tanto disco e tanto CD por aqui que nem teremos tempo de ouvir, ou reouvir, todas as faixas. E por aqui ninguém tem essa mania de passar as madrugadas baixando música no computador, o nosso tem armazenadas no máximo umas 50 faixas, quase todas salvas a partir de Música do Dia, do blog do Noblat. E por aqui ninguém sai por aí correndo em modelitos fashion de ginástica, com fones de ouvido. E, talvez por tudo isso, nunca alguém por aqui – mesmo a moçada – teve desejos frenéticos por um aparelho MP3. Ocorre que estamos num momento da vida em que precisamos de um gravador de voz. Precisamos gravar entrevistas e palestras para finalizar um trabalho importante, e acabamos comprando um MP3. Que além de gravar, tem rádio, é pen driver e armazena sei quantas mil fotos, vídeos e músicas, em diversos formatos. Comprei num dia pela Internet, o bichinho chegou pelo correio dia seguinte, e aí levamos o primeiro susto: é bem menor que a foto ilustrativa do site! Os botões de comando são também, claro, minúsculos. E as funções são tantas que o que parecia ser simples, fica complicado. Manual de instruções no joelho, microaparelho entre os dedos, aperta botão daqui, aperta dali, aprende-se como gravar, mas ouvir o que foi gravado é outros quinhentos. Como a melhor solução pra quem está numa situação como essa é chamar alguém com menos de 25 anos, foi o que fiz. “Comprei pra gravar as entrevistas, me ensina?”. Resposta, olhando a pequena caixinha de fósforo falante, com ar de extrema preguiça para as necessárias lições: “Ah, mãe, por que não comprou um gravador?”
3 comentários:
ha ha ha! Que menos de 25, eu quando empaco chamo meu filho de 12!!! E o controle remoto? Controle da TV, do cabo, do DVD, do home theater... Empaco pra assistir DVD:filhooooooo!!!
Abraço,
Cláudia
Uma das coisas mais importantes hoje em dia é saber adquirir tecnologia. De que adianta estar em dia com os lançamentos se eles não terão a menor utilidade na sua vida prática, não é mesmo? Conservo aqui também minha "vitrolinha" e meus vinis. O vídeo-cassete já pifou, mas as fitas ainda estão aqui, à espera de uma nova oportunidade para rodar aquelas raridades que (ainda) não saíram em DVD...
Beijoca e boa sorte aí com o MP3, rs.
ahahahahaha, eu sei bem como é isso, ainda não aprendi a metade das funções da minha. Mas mp3 só quando estiver com a burra forrada.
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