29.1.09

Orgulho iraquiano

 
AFP PHOTO/MAHMUD SALEH


O mundo inteiro riu frente às emissoras de TV, as imagens bateram recordes de acesso no You Tube, piadas, charges e cartoons se multiplicaram aos montes, joguinhos entupiram as caixas de correio nos quatro continentes. A cena do jornalista mandando os sapatos em Bush no ano passado sintetizou mais do que ódio, simbolizou o orgulho do povo iraquiano. O jornalista Muntazer al-Zaidi virou herói, mesmo vendo o sol nascer quadrado. E uma gigantesca escultura de bronze acaba de ser erguida em homenagem a ele em Tikrit, terra natal de Hussein - o Saddam, não o Barak - para perpetuar o gesto de desagravo e homenagear o herói preso. A peça, de gosto duvidoso, inclui um arbusto de rosas e um poema - e foi instalada numa fundação iraquiana que cuida de crianças órfãs, de famílias dizimadas pela violência que assola o país há mais de 5 anos. 



 

28.1.09

Uma questão de audiência

Nas reuniões de pauta do programa semanal, o coordenador de produção costumava levar para a cabeceira da mesa um macaquinho de pelúcia, comprado no camelô, que agitava os bracinhos e gritava um engraçado oh, no!, a cada vez que levava um murro na cabeça – e levava muitos! Toda reunião de pauta descamba para conversas paralelas, piadinhas, fofocas da central de boatos da empresa e comentários sobre futebol, mas o macaquinho não levava cocos na cabeça para fazer a turma se concentrar – o coordenador deixava a conversa fluir solta, sabia que a inspiração surge assim mesmo, de conversas sobre assuntos aparentemente desconexos com o tema principal. O macaco gritava oh, no! quando o coordenador queria lembrar à turma que “idéia não é pauta!”. Ouvia-se a frase oh, no! Idéia não é pauta! dezenas de vezes a cada reunião. Sim, porque em televisão as pautas das matérias exigem bons personagens, dados confiáveis e, sobretudo, um perfeito cálculo do tempo necessário para marcações, deslocamentos, captação de imagens, redação final, edição e pós-produção. Como em toda linha de produção, é preciso compreender em detalhes a relação custo x benefício de cada matéria e, nessa conta, entra também outro fator, que é mensurável apenas após a exibição do produto: a audiência. Um cálculo complexo que leva em conta os movimentos da concorrência, as macro tendências comportamentais e todo tipo de influência externa – da crise mundial aos temas mais recorrentes nas últimas conversas de botequim – e talvez por isso os bons pauteiros sejam beberrões de primeira. Nos modestos bloguinhos não é diferente: se o objetivo for a audiência é preciso, além da atualização permanente, ser tiquinho mais científico na escolha das pautas. De minha parte declaro que não acredito ser possível ganhar fama ou dinheiro nesse ramo, minhas motivações são bem mais modestas – e talvez mais egoístas – escrevo para exercitar um pouco os dedos e para dialogar com gente interessante, taí a Cora para provar que o espaço dos comments pode ser bem mais inteligente. Mas não consigo, por dever de ofício, deixar de notar os movimentos da audiência neste pequeno universo da confraria. Marcos Rocha, por exemplo, mantém um excelente blog em que exercita os princípios do bom jornalismo, leia-se pesquisa séria, informação de qualidade, texto eficiente e furos na concorrência. O contador prova que o PG é muito frequentado, mas pouquíssimos se arriscam nos comentários – confesso que eu mesma passo muito por lá, mas nem sempre me animo a contribuir. Não cabe aqui analisar o porquê, cheguei ao ponto, nesse texto, de esclarecer a que veio a pauta do Verbo de hoje: a constatação óbvia de que a quantidade de pelos pubianos numa mulher continua tema imbatível – se o assunto é audiência! Aqui no Verbo, no Mulheres Imperfeitas e, sobretudo, no RM no Verbo, sobraram conversas divertidíssimas que provam, no mínimo, ser os fóruns de discussão na web bem mais interessantes do que as simples enquetes. Note-se que, nesse caso específico, falamos de audiência segmentada e qualificada – um filé, ainda que mignon, no mercado publicitário, tivéssemos nós o Adsense. Pelo exposto, o Verbo decidiu reativar as pesquisas sobre o comportamento de homens e mulheres – sem o menor método científico, como sempre, mas nem por isso com menos valor. Deixo para o fórum a escolha do tema...

26.1.09

Um luxo!

Vinte e cinco anos atrás, só havia duas pousadas: os ricos ficavam no Solar da Ponte e seu chá das cinco e os pobres na modestíssima Pensão do Laurito, na linda rua Direita. Pra comer, apenas um restaurante decente, o Padre Toledo, com espera de 3 horas por um frango ao molho pardo, mas valia a pena. Pequena e mais plana, a cidade era meio ofuscada pela fama do casario de Ouro Preto e, por isso mesmo, preservava o charme da vida que anda devagar. De lá pra cá foram centenas de idas e vindas e a cada vez encontrei uma nova pousada, um novo restaurante, uma nova lojinha, ainda que todas com as mesmas cópias artesanais. Felizmente Bichinho está logo ali, com a genialidade de Toti e sua Oficina de Agosto – e a cada nova visita, encontro (e compro) uma nova e belíssima surpresa. A cidade cresceu em torno do arraial de Santo Antônio da Ponta do Morro, mais tarde Vila de São José Del Rey – ao ladinho da São João do mesmo rei. Desde o começo do século XX tem nome bem menos poético, mas que homenageia o filho mais ilustre – e mais esquartejado – das terras mineiras: Tiradentes. Hoje a pequena Tiradentes já rivaliza com Ouro Preto em turistas ilustres e dá um verdadeiro banho em matéria de comodidades, como pousadas confortáveis, lojas sofisticadas e culinária de primeiro mundo. Cheguei de lá ainda agorinha, já estou com saudades! Fugi, claro, dos passeios pelas ruas apinhadas de lojinhas, pois a época é ingrata, corre a Mostra de Cinema – note-se que é mostra, não festival, ou seja: um desses eventos que não oferecem novidade alguma, mas atraem os turistas e entopem as ruas de jovens com latinha de cerveja. Preferi ficar em casa mesmo, fui hóspede em local privilegiadíssimo, bem em frente à Serra de São José, o casario e as igrejas desenhados aqui embaixo, silêncio de sapos e grilos. E fiquei imaginando meus amigos loucos e agitados da blogosfera naquele cenário idílico, sempre quis usar essa palavra, em bate-papo regado a vinho. Isso sim que é luxo, quem sabe um dia...

25.1.09

Sua opinião é importante para nós!

O tema vira e mexe, volta. Muita gente já riu, aqui mesmo no Verbo, da descrição que uma amiga fez da tortura que é a depilação à brasileira. Pasmem, tem homem encarando a cera quente também, e não apenas nas costas e no peito, mas até nas partes pudentas – homem modelo Tony Ramos não dá, mas de homem com pintassilgo depilado também tô fora, já basta ver o badalo balouçante dependurado, coisa meio exdrúxula, se analisarmos friamente, imaginem o bichinho assim desnudo, sem nem um tiquinho de relva...
Dias desses voltei ao tema, lá no Mulheres Imperfeitas, mas pra falar da Madonna em pose Origem do Mundo, a foto vale milhares de dólares porque retrata, mais do que a dita cabeluda da maior pop star do século XX, uma época que marcou nossas vidas. Sim, era assim cabeluda que elas se apresentavam – e não lembro de homem reclamando, pelo contrário. Mr.Almost, parece, é das novas gerações, não leva gosto na degustação à antiga.
Erre-eme, que não perde tempo, está até promovendo uma enquete, quer saber o que pensam homens e mulheres deste novo milênio. Pôs lá 5 opções na listinha, não se sabe se “ao natural” é muito ou pouco mais do que “cabeluda”, nem fica claro o que vem a ser uma depilada “na medida”, não há ilustrações. Não importa, Erre-eme e o Verbo querem saber, sua opinião é muito importante para nós...

22.1.09

Meu amigo japa

É uma vez um japonês, modelo bem brasileiro: amoroso, aberto, aceso, aéreo, agitado, alegre, altruísta, alegre, analítico, anedotista, aplicado, atacado, amigo– só pra ficar na letra “A”. Hipertenso, meio deprê, mas com uma verve humorística de dar inveja. O japa vai descansar uns dias, à espera de que Obama dê um jeito na crise mundial, há de ser rápido! De minha parte aguardo umas visitas, ainda que breves, nem que apenas para desopilar o fígado. Grande beijo, amigo.

20.1.09

Tarefa simples

 

12.1.09

Vou descansar!

Tem fim de semana em que aparece tanto evento, em que bebemos e comemos tanto, em que dormimos tão pouco, que a segunda-feira chega pra gente descansar... Você nunca teve uma sensação assim? Pois meu “período de férias”, que nem “período legal” era – apenas alguns dias que eu tinha de “saldo”, isso é, dias que me foram roubados do período legal pela empresa, toda empresa considera esta história de 30 dias um luxo, dá pra descansar em 20, claro, e ninguém tem dinheiro pra viajar um mês inteiro mesmo, os outros 10 dias você tira “quando der” – foi um período de caos, com muitos e variados problemas de ordem diversa, não vale a pena relatar aqui, este não é o espaço. Fato é que voltei hoje ao batente, determinada ao merecido descanso, a caixa de mail tinha 4733 mensagens não lidas, mas nem isso tirou meu humor, quando você encontra 134 páginas de mensagens negritinhas e a informação no rodapé de que há 4815 itens, 4733 não lido(s), é facílimo: basta marcar tudo e deletar, sem nem saber do que se trata. O que for realmente importante vai reaparecer na sua caixa em breve e você sempre poderá responder: “não vi, estava de férias, do que se trata?”. Hoje pude ler 3 jornais, todos parecidos, o primeiro a gente lê atentamente, no segundo nos interessam apenas as diferenças em relação ao primeiro, do terceiro pulamos as manchetes principais, já decoramos tudo. Li também uma revista inteirinha e ainda folheei outras 3, nessas fiquei apenas nas bobagens, coisa bem mais útil nos dias que correm. Os problemas do dia-a-dia eram problemas do dia-a-dia mesmo, nenhum esforço especial ou dor-de-cabeça para tomar decisões complicadíssimas e os problemas sérios ficam sem decisão alguma, porque se 30 dias de férias para os empregados é um luxo, para os diretores a quem cabe decidir as paradas sérias não é, estão todos em merecidas férias de 30 dias, no meio do ano tem um pouco mais, adiam-se portanto os problemas realmente sérios, podemos concluir que não eram urgentes, não cabe dor-de-cabeça. Posso descansar um pouco, ufa!