28.1.09

Oh, no! Uma questão de audiência





Nas reuniões de pauta do programa de TV semanal, o coordenador de produção costumava levar para a cabeceira da mesa um macaquinho de pelúcia, que agitava os bracinhos, batia pratos e gritava um engraçado oh, no!, a cada vez que levava um murro na cabeça – e levava muitos! Toda reunião de pauta descamba para conversas paralelas, piadinhas, fofocas da central de boatos da empresa e comentários sobre futebol, mas o macaquinho não levava cocos na cabeça para fazer a turma se concentrar – o coordenador deixava a conversa fluir solta, sabia que a inspiração surge assim mesmo, de conversas sobre assuntos aparentemente desconexos com o tema principal. O macaco gritava oh, no! quando o coordenador queria lembrar à turma que “idéia não é pauta!”. Ouvia-se a frase oh, no! Idéia não é pauta! dezenas de vezes a cada reunião. Sim, porque em televisão as pautas das matérias exigem bons personagens, dados confiáveis e, sobretudo, um perfeito cálculo do tempo necessário para marcações, deslocamentos, captação de imagens, redação final, edição e pós-produção. Como em toda linha de produção, é preciso compreender em detalhes a relação custo x benefício de cada matéria e, nessa conta, entra também outro fator, que é mensurável apenas após a exibição do produto: a audiência. Um cálculo complexo que leva em conta os movimentos da concorrência, as macro tendências comportamentais e todo tipo de influência externa – da crise mundial aos temas mais recorrentes nas últimas conversas de botequim – e talvez por isso os bons pauteiros sejam beberrões de primeira. Nos modestos bloguinhos não é diferente: se o objetivo for a audiência é preciso, além da atualização permanente, ser tiquinho mais científico na escolha das pautas. De minha parte declaro que não acredito ser possível ganhar fama ou dinheiro nesse ramo, minhas motivações são bem mais modestas – e talvez mais egoístas – escrevo para exercitar um pouco os dedos e para dialogar com gente interessante, taí a Cora para provar que o espaço dos comments pode ser bem mais inteligente. Mas não consigo, por dever de ofício, deixar de notar os movimentos da audiência neste pequeno universo da confraria. Marcos Rocha, por exemplo, mantém um excelente blog em que exercita os princípios do bom jornalismo, leia-se pesquisa séria, informação de qualidade, texto eficiente e furos na concorrência. O contador prova que o PG é muito frequentado, mas pouquíssimos se arriscam nos comentários – confesso que eu mesma passo muito por lá, mas nem sempre me animo a contribuir. Não cabe aqui analisar o porquê, cheguei ao ponto, nesse texto, de esclarecer a que veio a pauta do Verbo de hoje: a constatação óbvia de que a quantidade de pelos pubianos numa mulher continua tema imbatível – se o assunto é audiência! Aqui no Verbo e no Mulheres Imperfeitas , sobraram conversas divertidíssimas que provam, no mínimo, ser os fóruns de discussão na web bem mais interessantes do que as simples enquetes. Note-se que, nesse caso específico, falamos de audiência segmentada e qualificada – um filé, ainda que mignon, no mercado publicitário, tivéssemos nós o Adsense. Pelo exposto, o Verbo decidiu reativar as pesquisas sobre o comportamento de homens e mulheres – sem o menor método científico, como sempre, mas nem por isso com menos valor. Deixo para o fórum a escolha do tema...

5 comentários:

rm disse...

Que técnica extraordinária!!!

Já pensou isto numa reunião ministerial? Heim, hã???

rsss


(responderei ao final da enquete. Beijos pra senhora!)

Marcos Rocha disse...

Oi, grande Lu G:

Obrigado pela referência simpática ao blogueiro que edita posts gigantescos contra todas as recomendações, inclusive suas... (rs rs rs)
Acho que eu intimido os meus leitores, com o meu estilo "meio" agressivo e "meio" desbocado [+ rs rs rs].
Mas já aprendi a conviver com isso, embora uma das melhores coisas da blogosfera seja exatamente essa que você aborda: a interação com os blognautas. E, nesse ponto, você e o RM estão muito bem servidos.
Quanto aos pêlos (ainda estou na ortografia antiga) pubianos, votei na enquete, claro, mas não comentei, porque sou suspeito para falar about desde que você, há mais de um ano, postou o quadro "A Origem do Mundo" e lá deixei minha observação totalmente favorável à prevalência da beleza da natureza sobre a estética.

Abraços, amiga.

MR
29/1 - 11:11

Anônimo disse...

É verdade, é verdade.

Mas se a questão é audiência, segmentação qualificada e comentários úteis, chama a Filó que ela resolve...

Assinado: adivinha quem....

rm disse...

Anônimo,
sou muito ruim de adivinhações, mas seu comentário também não obriga a muitos esforços nesse sentido.

É verdade, é verdade; mas propostas similares há aos montes, desde que inventaram a web.

(também sou chegado na Filó)

Chorik disse...

Entendo nada desse negócio de pauta! Mas apoio a ideia!